segunda-feira, 7 de março de 2016

um dia que nunca esquecerei, infelizmente...


Faz um ano que partiste. Ainda não acredito! Irónico o local onde recebo a notícia. O telemóvel toca, a minha mãe atende. A expressão dela muda a cada palavra que ouve e vai perguntando se é verdade. Eu temi o pior. E era mesmo! Pensei em várias coisas, associei a outra pessoa. A minha mãe contou e eu fiquei como se fosse um bloco de gelo: sem reação, intacta, inerte. Não posso dizer que não acreditei, mas a ficha não caiu. Fiquei meio apática.

A viagem não foi longa. À porta do prédio a nossa prima V. muito chorosa. A minha irmã estava a chegar. A prima S. chegou entretanto. Eu continuava meio apática sem saber no que acreditar, sem saber o que realmente acontecera. Entrei no edifício e comecei a subir as escadas, e dou por estar alguém atrás de mim: a tua cunhada e o teu irmão. Ouviam-se gritos de dor e de desespero, os da tua mãe. Antes de entrar, à porta de casa, engoli em seco. Era verdade. Doía só de ouvir.

Diz-que que para reunir a família só mesmo em batizados, casamentos e funerais. Entrei. O tio F. e a minha irmã no corredor que subiu antes de mim. A casa estava escura. Apenas uma luz ao fundo, a porta da sala. Avancei e enconstei-me à porta do armário. Não consegui entrar, o meu coração estava apertado de ouvir a tua mãe. De repente, vejo o teu pai. Cumprimentou o meu e as lágrimas naquele abraço de irmãos... Quando veio ter comigo desmoronei. Foi na audição dos gritos e no abraço de dor que então percebi que era real. Era verdade, eras mesmo tu.

Mantive-me no corredor. A família ia entrando e saindo. O meu pai foi ter com a tua mãe. Não consegui entrar. Doía-me tanto! Quando ele saiu perguntou-me se não ia ter com ela. Chorei! Não conseguia! Tentei acalmar-me, mas não é fácil nestas situações.

"A minha filha, ai a minha rica filha, porquê, porquê?" - ecoavam as palavras da tua mãe naquela casa escura. Ela saiu da sala. Eu estava em frente à porta. Bateu com os olhos cabisbaixos em mim, na minha mãe... Quando a abracei desmoronei outra vez. "Ela gostava de ti, podiam não se ver todos os dias, mas ela gostava de ti", num abraço muito choroso.

Faz um ano, consigo estar arrepiada. Faz um ano que todos passámos uma semana muito dura, complicada e cansativa. Tudo durou uma semana e, ontem, já fez um ano.
Amo-te prima!

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