sábado, 5 de setembro de 2015

o até qualquer dia


Confesso que sou uma sortuda no que toca às férias. Felizmente, os meus pais sempre me possibilitaram passar o verão (dois meses e meio, mais ou menos) no Alentejo, rodeada do que mais gosto: sol, praia, campo, amigos. Ganho uma liberdade que o resto do ano não tenho, ganho autonomia, ganho mais responsabilidade. Agradeço esta possibilidade. Sei que hoje em dia quem consegue uma semana de férias já se sente feliz, que direi eu que tenho mais de dois meses. Não me gabo disso, porque aqui não é uma questão monetária, mas sim por ter onde ficar e saber aproveitar o que a vida me dá, sem o esfregar em ninguém. Enquanto estudei, era uma maneira de desanuviar do stress do ano escolar. Desde que acabei o secundário e, por opção minha, não continuei os estudos os meus pais continuam a possibilitar-me este "luxo" (uso esta palavra mesmo por saber que há pessoas que não têm férias por não terem condições financeiras para tal). 

Tenho 20 anos e sempre fiz férias na mesma terra, no mesmo sítio, no mesmo ambiente. Claro que há coisas que mudam, mas tudo muda, não é verdade? A primeira vez que os meus pais visitaram esta terra, eu estava bem escondida na barriga da minha mãe. No ano seguinte, já com oito meses, fomos todos de férias para lá. Tenho muitas ligações àquele sítio, sem vergonha de o dizer, sem vergonha de o assumir. Na altura, sei porque já me contaram imensas vezes algumas histórias, eu era das poucas crianças que lá havia, um dos poucos carrinhos de bebé que por lá passeava era o meu. 

Brinquei na terra, sujei-me, fui lavada em tanques de roupa, lambuzava-me toda a comer gelados e fazia as delicias das pessoas no café, dizia barbaridades. Fui criança. Vivi. Aprendi. Cresci. Fui e sou feliz lá. Só não sou filha da terra, mas considero-me em casa cada vez que lá vou. "Home is where your heart is" é uma das frases da minha vida e uma das melhores descrições que posso dar quanto a esta terra que também é a minha casa.

Passar dois meses num local, há tantos anos como passo, criam-se laços, amizades. Quando é hora de voltar a casa e às rotinas, custa e custa muito. Se durante dois meses sou livre e faço mil e uma coisas num só dia, que durante o resto do ano não faço, na hora de vir embora custa. Despedir dos amigos, deixar o local onde fomos e somos felizes para trás. Dói. Todos os anos este é o sentimento, mas este ano custou mais que os outros. O meu coração ficou mais do que nunca lá. Vim com a ideia de não ter feito tudo o que havia a fazer, não ter dito tudo o que havia a dizer. Acho que não aproveitei tudo. 

"Este verão fica marcado pela dança, pela alegria, pelas pessoas fantásticas que conheci, pela música, pela diversão, pelo riso e sorriso, pelos abre olhos, pelo conhecimento, pelo tudo e pelo nada, pelos pequenos e grandes momentos e pelos sentimentos." Já o tinha escrito, no Domingo quando cheguei a casa. 

Só me apetece fazer a mala e voltar. 

Brevemente publicarei mais algumas fotos.




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