sábado, 6 de junho de 2015

No coração e no olhar

Nem sei por onde começar. Se te hei-de perguntar se estás bem ou assumir que estás num lugar calmo, sem a pressa da vida, nem o stress do quotidiano. Já dói há três meses. Pergunto-me como. Não é possível. Lembro-me tão bem de uma das últimas vezes que estivemos juntas. Estavas tão feliz. Tu, os teus pais, o M... Ai o teu M! Arrepiei-me quando o vi. Ele é igual a ti. Segurei as lágrimas que não consegui conter ao ouvir a tua mãe. Fazes falta a tanta gente. Repito. Não era de todos os dias, mas de sempre e para sempre. Desde que nasci. De sangue. Por vezes dou comigo a pensar em ti. Nunca pensei que fosse sentir-me assim. Eu sei que é a lei da vida, mas nem sempre é justo. Os mais velhos primeiro, mas não na tua idade. Agora quem é que me vai dar aqueles sorrisos contagiantes quando me encontrava na rua e me vai dizer que estou gira (a tua simpatia sempre ao de cima), perguntar como estou? Tantas e tantas coisas. Não me consigo esquecer do que me disseram à porta da igreja: "Tens os olhos dela. O mesmo olhar." Partiste, mas estás em mim, no coração e no olhar. Ainda sinto culpa e um peso em mim por não me ter conseguido despedir. Desculpa, desculpa, desculpa. As vezes que eu precisar. Podíamos estar meses sem nos ver, mas as saudades não existiam e se existissem mais cedo ou mais tarde acabavam. Partiste. Amo-te. Tenho saudades tuas, prima.















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